Recomendação Musical: Vulfpeck

Insira aqui um introdução falando sobre como dessa vez eu realmente vou voltar a postar regularmente ao invés de ser só um texto aleatório solto

Eu tenho um gosto musical… peculiar. Não é algo proposital – detesto aquela atitude de “só ouço músicas de bandas do Nepal, essas coisas mainstream que tocam no rádio são tudo uma merda” tanto quanto você. E grande parte das músicas que eu ouço são aquelas que são na verdade bem populares, mas como não são pop/sertanejo universitário/ritmo “da moda” atual, pré-adolescentes se sentem como se fossem hipster ouvindo bandas super desconhecidas como Queen, Metallica, System of a Down, etc. Eu sei porque eu fui esse pré-adolescente, e embora eu tenha já a muito tempo abandonado esse pensamento, não deixei de apreciar essas bandas.

Caso você ainda não acredite no meu pedigree de não-babaca-hipster-pretencioso, saiba que disco que eu mais tenho ouvido recentemente é TERRASAMBA: AO VIVO E A CORES;

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SUÍNGUE SUÍNGUE PRA VOCÊ E PRA MIM

Algo que acabou acontecendo comigo, porém, é que com os anos eu desenvolvi um apreço por música… diferente. Não só diferente na direção de “mais pesado e distorcido” que o Kit Adolescente Revoltado Metaleiro 3.0 acima incluiu, mas diferente de diversas formas: as vezes apenas um detalhezinho incomum ou outro, as vezes coisas completamente bizarras que qualquer um julgaria ser só barulho e eu nem tiraria muito a razão da pessoa. E no caminho de desenvolver esse gosto musical, acabei conhecendo bastante coisa que também é relativamente “normal”, mas por um motivo ou por outro não é popular por essas bandas.

Então eu decidi compartilhar com você alguns desses artistas, bandas e músicas que eu curto. Eu não posso prometer que você vai GOSTAR de todas elas; na verdade, imagino que a grande maioria não vá entrar na sua biblioteca musical. O que eu te prometo, porém, é que serão coisas legais de ouvir pelo menos uma vez: sempre haverá algo de interessante pra você conhecer. Nem que seja só por aquela experiência de “Mano, que porra é essa?”.

Dito isso, a sugestão de hoje particularmente é uma que eu tenho certeza que você vai curtir.

A uns meses atrás eu conheci por acaso – já nem lembro como especificamente – uma bandinha que rapidamente passou a ser uma das minhas favoritas: Vulfpeck. A primeira música deles que tomei conhecimento foi essa:

Dois motivos pra assistir esse vídeo: primeiramente, ele é essencial para que você entenda o resto do post, segundamente, eu me dei o trabalho de buscar esse link seu fdp preguiçoso, dê play logo e pare de me questionar.

Então, agora que você ouviu, me diga: isso não é uma música bizarramente agradável aos ouvidos? Até hoje não conheci uma pessoa que não tenha gostado. A melhor palavra que eu consigo achar para descrever a qualidade dessa música é que ela é simpática. Simpática a ponto de ser quase fisiologicamente impossível de desgostar. E essa característica se aplica a boa parte das músicas deles. Aqui tem mais uma:

I know / That it’s taken all this time to say, girl…

Eu simplesmente não consigo não ficar feliz ouvindo essas músicas, de tão simpáticas que elas são. São felizinhas e inocentes de uma forma quase lúdica. Se de alguma forma fosse possível transformar em ondas sonoras o sentimento que temos o ver a foto de uma bebê panda acenando para a câmera, o resultado seria um álbum do Vulfpeck.

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Vulfpanda (2017)

Falando em animais e felicidade, Animal Spirits tem a honra de ser literalmente a música mais feliz do universo:

E ainda sobre animais, lhe pergunto: seria possível não gostar de uma música chamada Funky Duck? Não, é absolutamente impossível. E como prova eu te apresento – veja só – uma música chamada Funky Duck:

Até onde eu saiba, essa é a única música deles envolvendo patos, porém funky se aplica a toda a discografia deles. Caso você não saiba o que funky signifique, assista o vídeo abaixo. Essa vontade de mexer a cabeça no ritmo da música – possivelmente estalando o dedo em cada batida, se você for especialmente maneiro – isso é o significado de funky.

Eles tem músicas demais para eu listar todas as que eu gosto aqui, mas irei falar mais algumas porque eu não consigo parar: Conscious Club é um disco saído diretamente dos anos 70~80, Aunt Leslie tem o melhor solo de trombone existente, Speedwalker já me fez quase bater o carro umas duas vezes porque eu não posso deixar de bater palma junto com a música, e Sky Mall é a versão pra baixistas do final do filme Whiplash.

Enfim: se você gostou dessas que eu comentei aqui, recomendo a você dar uma olhada no canal deles no YouTube, basicamente toda a discografia deles está lá, e também no Spotify. Só buscar eles lá.

…Ok, seu preguiçoso dozinferno, taqui o link. Feliz agora?

E caso você ainda não esteja convencido de quão bom é Vulfpeck, aqui vai uma história engraçada envolvendo a banda: Eles lançaram no Spotify um álbum composto inteiramente por músicas que eram apenas… silêncio. E pediram para os fãs dormirem “ouvindo” o álbum em loop. Até o pessoal do serviço se dar conta da traquinagem dos caras e retirar o álbum do ar, a banda recebeu quase vinte mil dólares em royalties, os quais foram usados para patrocinar um tour com shows de entrada grátis para os fãs. Me diz se esses caras não são fodas demais?

Começando pelo começo

No post anterior, eu falei sobre como irei começar a me importar de verdade com o lado fitness da minha vida. Acho interessante então, primeiramente, fazer uma análise do meu estado atual, e como eu cheguei aqui. Tal qual você quando bateu o carro e levou no mecânico, antes de se começar a trabalhar nos reparos, é bom analisar a extensão dos danos. E tal qual o seu mecânico, o resultado dessa análise é:

“Vixe doutô, foi feio o negóss, hein? Issaê é perda total quase. Má vâmo vê o que dá pra fazê.”

Sem mais delongas, comecemos.

Meu Estado Atual

Em português não tem uma palavra que descreva muito bem, mas em inglês existe um termo que me descreve perfeitamente: skinny fat.

Caso você não saiba o que significa o termo, podemos pedir ajuda a um dos sites mais confiáveis de toda a World Wide Interwebs, o urbandictionary.com.

Segundo o Urban Dictionary, skinny fat seria:

When someone is thin and looks great in clothes, but is all flabby underneath.

A segunda definição é um pouco mais científica:

A person who is not overweight and have skinny look but still have a high fat percentage and low muscular mass. Usually those people have a low caloric diet, that’s why they are skinny, but are not involved in any sports activities or trainings and that’s why they don’t have any muscle. Since between the bone and the skin those people only have fat, the skin can be deformed easily because the skin layer is located on an unstable matter (fat).

Isso é exatamente o meu caso. Ao ler essa descrição, fico surpreso que não exista uma foto minha anexada à página.

Um adendo que pode ser feito, no meu caso, é que seja lá por qual motivo, meu corpo armazena aparentemente 95% da gordura na região do abdômen, fenômeno conhecido na comunidade científica como pancinha de chopp – o que é triste, visto que eu nem beber bebo.

O que isso significa é que, se você é uma das sortudas pessoas que nunca me viu sem camisa, você provavelmente me descreveria apenas como “magro”. Inclusive, já tive algumas pessoas acharem que era simplesmente nóia da minha cabeça quando eu dizia que eu realmente não sou magro.

Aliás – se você é uma das pessoas sortudas, sinto lhe informar que sua sorte termina agora:

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Sexy.

Isso não poderia estar mais longe da verdade, porém. Eu nunca tive problemas com minha imagem – na verdade, eu fico mais a vontade sem camisa que alguns amigos meus que são relativamente mais fit*. Quando eu digo que não sou realmente magro, não é por falta de autoconfiança, é apenas uma descrição objetiva da minha composição física.

*(Sim, eu sei que soa muito babaca ficar jogando termos em inglês assim aleatoriamente, mas 99% do que eu leio sobre o assunto é em inglês, então o vocabulário me soa mais natural que as traduções. Em muitos casos, eu realmente não sei como seria o termo lusófono para certas coisas. Por mais escroto que soe, vai ser algo que nessa série de posts eu terei que fazer várias vezes. Foi mal.)

Como Cheguei Aqui

A definição de skinny fat indicava duas coisas como causas: baixo nível de atividade física, e dieta pouco calórica. Comecemos pelas atividades físicas.

Minha vida inteira, eu nunca fui chegado à esportes. Aliás, minto: eu até gosto de jogar vôlei ou basquete de vez em quando, mas futebol é algo que eu nunca me interessei. O que no nosso Brasil Varonil é, na prática, quase equivalente àquela primeira frase.

Aliás, uma pequena nota aqui: eu não gosto de nenhuma forma de futebol – o futebol tradicional, futebol de salão, futebol americano, mesmo futebol de videogame, a única coisa que eu achava interessante em PES eram as versões pirateadas, os clássicos PES BOMBA PATCH 2007 com jogadores atualizados, e a trilha sonora composta inteiramente por funks proibidões do momento. Literalmente nenhuma variação do esporte me é interessante… com uma exceção. Totó, ou caso você seja um herege adorador de Satã, Pebolim. Eu sou – perdoe meu francês –  FODA nisso. Inclusive, recentemente, ganhei o campeonato na faculdade:

Mas divago.

Entre outros esportes que eu já tive algum interesse, temos tênis e corrida. Esses últimos dois foram os únicos em que eu realmente me dediquei de verdade por um tempo, mas nenhum dos dois por tempo o suficiente pra surtir algum efeito pronunciado.

Quanto à dieta, esse é um ponto interessante. Minha alimentação nunca foi, nem de perto, boa. Muitíssimo pelo contrário. Desde pequeno, eu sou muito chato pra comer. Verduras e legumes eram os arqui-inimigos do meu eu mais novo, e sinceramente até hoje eu não sou exatamente fã dos mesmos. Não tenho nenhum orgulho disso, aliás. Até me envergonho quando como na rua, a tarefa de ficar catando os pedacinhos que você não gosta e os juntando numa pilha no canto do prato é algo que faz eu me sentir muito infantil. Apesar de eu ter melhorado muito quanto a isso, ainda existem algumas coisas que simplesmente não me descem.

Por outro lado, quando se fala de doces… Eles sempre foram uma grande parte da minha alimentação. Se é que dá pra chamar Trakinas de “alimentação”. Doces, bolos, biscoitos, refrigerante – eu sempre me entupi de todos esses, e qualquer um desses itens na minha casa costumava não durar muito.

Mas porra, peraí? Se eu só comia besteira, e não fazia atividade física nenhuma, eu deveria à essa altura estar, no melhor dos casos, quase obeso. Como isso não aconteceu? Depois de uma pequena reflexão, me surgiu a resposta.

Meu apetite é bem baixo.

Eu como bem pouco, desde que me dou por gente. Em almoços de família, era certo que ao menos uma tia iria comentar sobre como eu tinha botado pouca comida no prato. Em retrospecto, mesmo com doces, apesar de eles fazerem proporcionalmente uma grande parte da minha dieta, objetivamente a quantidade de calorias total era pouca. Se entupir de doces não é tão mal se você “se entope” rápido.

Aliás, pelo contrário: imagino que, caso eu não tivesse esse amor pelo açúcar, provavelmente hoje eu estaria magro demais, muito abaixo do peso mínimo ideal pra minha altura. Essas pequenas bombas calóricas eram o que permitiam que eu adquirisse energia o suficiente pro meu corpo não se auto digerir buscando combustível. Pensando bem, talvez seja justamente por isso que eu gosto tanto dessas guloseimas em geral: eu condicionei meu corpo a entender elas como a única coisa que realmente o mantém funcionando.

FUCK.

Isso provavelmente vai tornar as coisas um pouquinho mais complicadas pra mim. Merda.

20

Daqui a quatro três dois dias (demorei mais do que esperava pra terminar esse texto) eu vou fazer 20 anos de idade. Vinte! É a última idade que é possível de demonstrar com os dedos, dado que você conte os do pé, e/ou não seja o Lula.

A página da Wikipedia sobre o número 20 nos conta umas coisas interessantes sobre esse singelo número. Entre elas:

  • 20 é o menor número primitivo abundante, que aliás são três palavras das quais que eu julgava conhecer bem a definição, mas que em conjunto nessa ordem específica eu não faço ideia do que significam.
  • 20 é o quarto número composto na árvore aliquota-7 (wut)
  • 20 é o único número com mais de um dígito que pode ser escrito em todas as bases entre 2 e 20 utilizando apenas os algarismos de 0 à 9 (mas que diabos….?)
  • Antes dele vem o 19, depois dele vem o 21 (agora sim)
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Wikipedia: Matemática para todas as idades

Espero que, de posse dessas informações, a sua admiração por este magnificente residente dos números naturais tenha sido despertada. E que agora você concorde comigo que essa é uma quantidade interessante de anos pra se ter.

Pois bem. Como sempre acontece quando se atinge uma quantidade interessante de anos, isso me levou a uma crise de (fração)-idade. Considerando que canonicamente, a crise dos 40 é chamada de meia-idade, imagino que essa minha agora deva ser a crise de um-quarto-de-idade.

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Mas só porque sou pobre, gente rica tem no mínimo crise de suite-de-idade

Uma das coisas que eu estive pensando, com essa idade-marco se aproximando mais e mais, é que teoricamente, eu deveria estar agora no meu ápice físico. Biologicamente, foram milhões de anos de evolução e seleção natural para gerar um código genético propício para que eu tivesse hoje um corpo forte, ágil e saudável, que me permitisse caçar, correr, e carregar uma clava para bater na cabeça de uma mulher e a arrastar para minha caverna quando eu julgasse necessário. Ou isso, ou as historinhas do Piteco mentiram pra mim.

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PITECO, Australo – PHD em relações interpessoais

Ao invés disso, atualmente eu sou um nerd preguiçoso e gordo. Em outras palavras: Nerd.

E eu resolvi mudar essa história, por alguns motivos:

Saúde em geral. O negócio é o seguinte: sendo realista, minha condição física inata daqui pra frente só piora. Com vinte anos na cara, a puberdade já veio e já foi, e qualquer ganho que eu pudesse esperar que viesse com ela já aconteceu. O que significa que se eu não fizer um esforço consciente para ao menos manter o que eu já tenho, a tendência é piorar. É daqui pra baixo, rapá.

Está nos meus planos viver bastante, e bem. Uma das coisas interessantes em ser ateu é a sua relação com a própria mortalidade. Eu tenho uma vida, e uma vida apenas. O que significa que para meu próprio bem, eu devo fazer o que posso para viver o máximo possível, e, mais importante ainda, o melhor possível.

Recentemente, no Reddit, eu li algo que me abriu os olhos em relação a isso. Uma enfermeira que cuida de idosos disse que pessoas que mantiveram um bom nível de atividade física nem vivem tanto mais que as pessoas sedentárias. A maior diferença entre esses grupos, na verdade, é que o primeiro vive relativamente em ótimas condições até muito perto de morrerem, basicamente piorando de um dia pro outro e então partindo. Já o segundo grupo agoniza com doença, falta de mobilidade, demência (entre muitos outros) durante anos, até décadas, até finalmente sucumbir.

Se essa agora é a minha única oportunidade em toda a infinidade do tempo do universo de ter o privilégio de existir, eu definitivamente não quero gastar 25% dela preso a uma cama.

Autoproteção. Eu sou meio (muito) medroso, pra várias coisas. Grande parte do meu medo é fruto de eu ter uma imaginação muito ativa: ao menor sinal de que algo pode dar errado, minha mente consegue extrapolar um sem-número de possibilidades que levarão a um acidente/assalto/sequestro/assassinato/atentado/desastre natural/ataque de ninjas/aquisição de herpes. O que significa que me deixa nervoso o fato de que, caso uma dessas coisas realmente ocorra, e eu dependa de alguma forma da minha habilidade física atual para sobreviver, eu estou completa e colossalmente FODIDO. Saber que eu consigo ao menos correr bagarai na direção oposta do perigo sem parar por alguns quilômetros me deixaria mais tranquilo quanto a tudo isso.

E são esses os motivos que me levam a querer mudar minha vida assim. Esqueci alguma coisa? Xôpensaraqui… Ah sim, eu também quero ficar gostoso. É. Principalmente isso, pra falar a verdade. Pensando bem, esquece os outros motivos, é só por isso mesmo.

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Blackjack & Prostitutas

Brincadeiras a parte, esses todos aí são meus motivos. E eles me levaram a criar um auto-desafio:

Enquanto eu tiver 20 anos, eu vou focar SÉRIO em me exercitar, aumentar minha capacidade física e viver uma vida mais saudável em geral.

E quando eu digo SÉRIO, eu quero dizer realmente SÉRIO. Sem desculpas, sem choro. Eu não espero agir perfeitamente, claro: problemas surgem, atrasos acontecem, mas o que eu quero é que ao menos a média da minha habilidade física continua continue aumentando sempre, até meu aniversário de 21 anos.

Se eu chegar aos 21 e eu decidir que realmente essa vida não é pra mim, eu aceito diminuir bastante o ritmo e me exercitar apenas casualmente, de forma a não ser completamente sedentário. Mas antes de me relegar à isso, eu quero ao menos experimentar como é levar isso à sério, esse sendo o tipo de coisa que você só sabe mesmo se vai gostar depois de passar um bom tempo fazendo, já que os primeiros passos são os mais difíceis de se tomar.

Agora, por que eu estou escrevendo isso tudo? Primeiro, porque passar isso por escrito é bem melhor do que apenas deixar como uma vaga ideia na mente. Colocando tudo com palavras, em público, me ajuda a organizar  na minha cabeça o que eu realmente quero, e como eu pretendo alcançar isso. Segundo, porque eu estava com saudade de escrever ❤

E é exatamente isso que eu vou fazer a partir de agora. Tentarei vez ou outra escrever aqui sobre o que eu tenho feito, o que eu tenho aprendido sobre fitness, nutrição, etc. E se isso soa muito chato, não se preocupe: garanto que todos meus textos continuarão sendo repleto de piadinhas forçadas e imagens roubadas do Google com legendas sem graça. Tudo isso para o seu entretenimento, caro e querido leitor. E de quebra talvez você ainda aprenda alguma coisa pra fazer em relação à essa sua pancinha de chopp aí, vai saber! É vantagem pra todo lado.

Pois bem. Isso foi só a introdução. Pretendo logo logo escrever o primeiro capítulo dessa saga, falando mais a respeito do meu estado atual, e meus primeiros passos pra melhorá-lo. Até lá.

Dramas Incoerentes de Uma Mente Vagabunda

Aviso: o seguinte texto são os pensamentos aleatórios de um vagabundo problemático. Não é interessante, não é profundo, não é nem engraçado, tem uma piada só durante todo ele. Siga por sua conta e risco.

Sabe como quem é viciado em algo nunca percebe que está viciado? Eu posso parar quando eu quiser, eles dizem. Tempo que você se divertiu desperdiçando não é tempo desperdiçado, eles dizem. Isso por si só não é algo ruim, só seria ruim se tivesse tendo algum impacto negativo na minha vida, eles dizem. E então acordam jogados num beco escuro, apoiados contra uma caçamba de lixo, só de cueca, se perguntando:

Como caralhos eu cheguei a esse ponto?

No meu caso, o beco escuro foi um grupo do WhatsApp, e o que me acordou foi uma grande amiga desabafando sobre como nós basicamente não nos falávamos mais.

Desde que eu aprendi a usar a internet, ela se tornou uma parte integral da minha vida, e a maior fonte do meu entretenimento e distração. Eu não me surpreenderia se o número de dias da minha vida em que eu passei sem ter nenhum contato com a internet desde que eu comecei a usá-la fosse menor que o número de dias que eu passei sem nenhum contato com meus pais, sendo que até hoje eu moro com eles.

E em geral, isso nunca foi um grande problema. Eu sempre consegui manter um nível minimamente saudável de “fazer coisas que realmente importam”. Até que, há uns meses atrás, um evento que não vem ao caso especificar me abalou, por falta de um advérbio melhor, fodidamente. E a internet, normalmente a minha distração nas horas vagas e em muitas das horas não vagas também, virou a minha distração de todas as horas.

Perceba a palavra “distração”. A internet em si não é um problema, muito pelo contrário, ela é possivelmente a ferramenta mais útil e poderosa existente. E isso é em grande parte devido ao que ela te permite criar. Foi isso, inclusive, que inicialmente me fez passar a usar a internet regularmente: meus rolês internéticos começaram em fóruns dedicados ao desenvolvimento de games e de pixel art. Mais recentemente, esse blog, entre outras coisas, é como eu abro minha válvula criativa.

Mas o tal evento recente me tirou toda essa vontade de produzir. Logo após o ocorrido, eu comecei a passar quase que a inteiridade do meu tempo consumindo coisas aleatórias. Aquele ciclo vicioso de Twitter/Reddit/RSS/etc, um ritmo constante de informação nova, tudo pra me distrair. E isso é até compreensível, dadas as circunstâncias. Mas o tempo passou, e eu não saí dessa. Pelo contrário, eu só afundei mais e mais nesse ciclo.

Eu não estava fazendo NADA de útil. Pela primeira vez na minha vida, minha performance acadêmica sofreu. E não só isso: nem mesmo algo semi-útil eu fazia. Você poderia dizer, por exemplo, que assistir horas e horas de filmes ou seriados seria, ao menos, uma dose cultural. E com um programa de torrent e uma conta no Netflix, isso seria a coisa mais fácil do mundo pra eu fazer. Mas não, nem isso eu fiz: mesmo consumir algo que requisesse um pouco mais de esforço, como parar 2 horas assistindo um filme, eram demais.

O que eu precisava era informação rápida, curta, de fácil digestão, e atualizada de trinta em trinta segundos, um fast-food de informação. Era quase como uma intravenosa ligada 24h por dia, constantemente enviando estímulos, apenas o necessário pra manter o senso de recompensa do cérebro ativado a todo e qualquer momento.

O tal desabafo da minha amiga foi o que despertou um senso de que algo estava errado. E ao longo de uma semana depois disso, eu fui reparando o quão baixo eu havia chegado. E meu deus, eu cheguei baixo o suficiente pra virar campeão mundial de limbo. (Essa foi a piada)

Eu realmente cansei disso. Eu não quero continuar como passei os últimos meses. Não é nem que eu queria passar a fazer algo produtivo, é que eu quero passar a fazer anything at all. Não apenas ler tweet depois de tweet, post atrás de post, só mantendo minha mente ligeiramente ativa até chegar a hora de dormir, e repetir essa rotina no dia seguinte.

Fucking anything, man.

…It’s time to move on.

Hoje é o nono dia dessa minha nova fase. Há progresso. Mas o caminho ainda é longo. Eu nem sei ao certo o porque de escrever de tudo isso. Eu acho que eu precisava externalizar tudo isso em algum meio em que eu pudesse ser tão besta quanto o necessário. Espero, em algum tempo, ler isso de novo e rir do quão vergonhosamente melodramático foi esse post. Ao menos vai ser sinal de que eu melhorei um pouco.

E se você se torturou a ponto de ler tudo isso, você merece um gif da Katy Perry. Tó.

Organização 101: Gavetas e Tomadas

Continuando a série sobre organização, hoje trago duas dicas mais curtinhas. O negócio com organização é que às vezes, pequenos detalhes assim podem fazer uma grande diferença.

Começando com as gavetas. Mais especificamente, essa gaveta aí na mesa do seu computador, onde você provavelmente guarda tudo e mais um pouco, tornando-a uma bagunça total. Depois de potencialmente anos jogando tudo de qualquer maneira, suas tranqueiras e quinquilharias devem ter se acumulado em camadas sedimentares com o tempo, tal qual um sítio arqueológico. Por cima, as coisas que você sempre usa, por baixo dessas, CDs, papéis e notas fiscais que você guardou ali há meses, “vai que precisa”. Na camada mais funda, clipes de papel, pilhas, talvez até um disquete ou outro, já fossilizados pelo tempo.

O primeiro passo, como com qualquer outra coisa que você queira organizar, é esvaziar completamente a gaveta, e jogar fora o que você não precisa mais guardar, o que é provavelmente 95% do conteúdo que era mantido ali. Do que sobrou, decidir se aquela gaveta é realmente o melhor lugar pra guardar tudo isso. Se for algo que você raramente use, por exemplo, um armário ou uma outra gaveta talvez seja uma opção melhor.

Agora, o que sobrou deve ser apenas uma fração do que era inicialmente, o que já é um grande avanço. Mas agora vem o método para como MANTER isso organizado.

E esse método envolve nada mais nada menos que tupperwares, vulgo tapauér, vulgo aquelas vasilhas em que sua mãe guarda os restos da macarronada do domingo pra requentar na segunda.

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Fig. 1: Um design clássico de tapaué de prástico.

 

O maior problema gerador de bagunça nessas gavetas, depois da sua preguiça absurda de colocar as coisas no lugar certo ao invés de só jogar ali, é que normalmente o que se guarda nelas são coisas pequenas, chaves, papéis, pendrives e outra miudíces. E o processo de abre e fecha e abre e fecha e abre e fecha mais uma vez da gaveta acaba chacoalhando tudo isso numa desorganização imensa, aumentando a entropia média do receptáculo graças a FDP da termodinâmica.

O que os tapaués (tapauéres?) fazem, é impedir que isso aconteça. Assim:

E… É isso. Desde que você não volte ao seus antigos modos de australopiteco, sua gaveta se manterá sempre bonitinha e organizada.

E a segunda dica, bem curtinha, é o seguinte: sabe quando você vai tem que ligar algo na tomada, mas todas as entradas já estão ocupadas? E conectados ali estão a da lâmpada de mesa, o computador, o ventilador, e o marcapasso do seu tio sem o qual ele não vive dois minutos? E como, tando os fios completamente emaranhados, você não sabe qual é qual, tenta chutar, e de algum jeito sempre acaba quase matando o pobre do seu tio? Então.Com alguns adesivinhos marcando o que é o que, esse problema é resolvido. Nem precisam ser adesivos mesmo, esses dai eu fiz com post-its cortados. E ao invés de simbolos tortos e mal desenhados, como os meus, você pode só escrever o nome do aparelho. Mas funciona, de qualquer forma.

Enfim, é isso aí. Mais posts dessa série virão ainda, então fique ligado!

*cue vídeo de “voltamos já” da TV Globinho*

Organização 101: Senhas

Não há nada mais chato do que senhas. Se você usa a internet a mais de cinco minutos, com certeza já tem pelo menos umas 15, pros vários serviços nos quais já se registrou.

Bem, você deveria ter umas 15. Na realidade, você provavelmente tem uma, no máximo algumas, as quais são compostas pelo nome do seu bicho de estimação, ano do seu nascimento, nome da sua banda ou artista favorito, ou alguma combinação qualquer entre essas e mais algumas outras variáveis óbvias.

Isso porque criar, lembrar e escrever várias senhas longas e complexas é, francamente, um saco. E sim, você sabe que deveria usar uma senha única para cada serviço, de preferência senhas completamente aleatórias. Mas, para esses conselhos, você e todo o resto do mundo responderam:

E eu concordo com você. Bem, concordava. Mas, fear not, estou aqui hoje pra te ajudar nesse árdua tarefa que é a segurança virtual, utilizando um programinha bem legal chamado KeePass 2, disponível para basicamente qualquer sistema operacional (expandirei nisso mais à frente).

O KeePass nada mais é que um criador / organizador / banco de dados de senhas. Existem vários serviços do tipo, como o LastPass, mas o KeePass tem dois diferenciais que o destacam de qualquer outro: ele é local, isso é, é apenas um programinha que fica no seu computador, ao invés de ser um serviço armazenando suas senhas na nuvem, e ele é completamente, inteiramente digrátis.

Funciona assim: o KeePass cria uma database na qual você pode armazenar todas as suas senhas. Essa database, claro, fica protegida por uma senha, que a partir de agora, será a única senha que você terá que gravar pelo resto da sua vida.

O programinha é bem fácil de usar, mas aqui vai um pequeno guia, bem básico, de como criar uma senha por ele.

1) Baixe o programa no site, e instale.

2) Ao abrir o programa, ele pedirá para você criar o arquivo que servirá como o banco de dados, e escolher uma senha que será a chave mestra para abrir o programa.

3) Clique com o botão direito na janela, e selecione “Add Entry”.

4) Aqui acontece a mágica: preencha os campos com o nome do serviço, nome de usuário, e, no campo para a senha, o próprio programa cria uma pra você, completamente aleatória. Você pode mudar um monte de parâmentros também de acordo com a necessidade: incluir ou excluir maiúsculas, números, caracteres especiais, tamanho da senha, etc etc. Feito isso, salve a entrada.

5) Agora, quando você quiser utilizar a senha, apenas entre no programa, e dê um clique duplo sobre a senha. A senha é passada para o seu campo de copiar/colar, bastando ir no lugar onde você quer utilizá-la e dar um Control + V. Depois de um curto tempo, o KeePass automaticamente limpa o seu campo de copiar/colar, para que não haja risco de você colar a senha como novo status no Facebook.

“Mas e se eu precisar usar a senha no meu celular / tablet / microondas?”

Sem problemas: o KeePass, sendo open source, possui versões e ports pra basicamente todo tipo de aparelho existente. Até dentário, se você procurar direito.

A partir daí, o pulo do gato é salvar a database do KeePass num serviço como o Dropbox ou Google Drive. Pelo celular, você acessa o arquivo do KeePass baixado (e mantido atualizado) pelo Dropbox, entra com a sua masterkey, e pronto. No Android, já usei o KeePass2Android e o KeePassDroid, e os dois funcionaram perfeitamente.

Claro, tudo isso é perfeito, desde que a sua senha mestra seja forte. Mas porra, agora essa será a única senha que você terá que gravar, faça um esforço, né. Além do mais, uma senha forte não precisa necessariamente ser difícil de gravar, como ilustrou o sempre genial xkcd:

To anyone who understands information theory and security and is in an infuriating argument with someone who does not (possibly involving mixed case), I sincerely apologize.

Por isso, eu recomendo utilizar uma frase, ao invés de uma palavra. Pense numa frase que faça sentido pra você, e não pra mais quase ninguém. Piadas internas são ótimas pra isso. Misture palavras de outras línguas também, como inglês ou espanhol, talvez faça algumas substituições de algumas letras, e você já pode gabaritar qualquer teste de força de senha. E como efetivamente essa vai passar a ser sua senha pra tudo, não será difícil de gravá-la, depois de estar digitando ela pela centésima vez.

Ah sim, isso é um ponto importante: peloamordedeus, não vá esquecer essa senha. O KeePass não tem nenhuma opção de “recupere minha senha”, então se você não lembrar, não haverá jeito de abrir o banco de dados. Então, se você tem memória MUITO ruim, ao menos anote ela num guardanapo e deixe ela escondida entre suas cuecas para que você possa a recuperar em último caso.

E é isso aí. Sim, vai ser um saco mudar as senhas de todos os serviços que você usa, mas vale a pena, vai por mim. Além do que eu falei, existem muuuuitas funções do KeePass que eu nem toquei. Dá pra usar um arquivo-chave, para que seja necessário não só a senha, mas mostrar ao programa esse arquivo para poder destrancá-lo.Também tem uma versão portátil, que você pode levar num pendrive para utilizar em algum outro computador sem precisar instalar nada.

Além disso, há uma lista longa da plugins pra você fuçar, que expandem ainda mais a funcionalidade do programinha. Eu particularmente recomendo o DatabaseBackup, que faz exatamente o que o nome diz, para o caso de dar alguma merda e seu arquivo se corromper. Como os arquivos são bem pequenos, você pode configurar pra ele criar uma caralhada de backups sem se preocupar com espaço. Eu deixo setado em 50, e para salvar esses backups tanto no Dropbox, quanto numa pasta à parte no meu HD. Afinal, o seguro ficou trancado pra fora do seu Facebook de velho. Ou algo assim.

Enfim, eu vou ficando por aqui, se eu for explicar tudo que dá pra fazer no KeePass eu vou acabar escrevendo um TCC. Fucem o programinha. É legal, é prático, é seguro. Três coisas que suas senhas normais dificilmente são, menos ainda ao mesmo tempo. Vai lá. Satisfação garantida, ou o seu digrátis de volta.

Oi de novo!

…e, caminhando cautelosamente pelos corredores há muito não explorados, nosso intrépido protagonista avança. Retirando incontáveis teias de aranha que se estendiam de ponta a outra do corredor, o jovem mancebo media cada passo meticulosamente.

Não demorou muito, e encontrou-se numa ampla câmara. O teto erguia-se duma maneira estonteante, formando uma abóbada que encapsulava a sala. Ao redor, pelas paredes, pinturas e inscrições de uma língua esquecida há séculos denunciavam o propósito ritualístico do ambiente. E, ao ver o pequeno pilar no centro do salão, sobre o qual repousava um brilhante orbe, nosso herói soube que as lendas eram verdadeiras.

Avançando hesitantemente sala a dentro, parou diante do humilde altar e o admirou. Com as mãos suadas pela antecipação, de leve tocou o artefato à sua frente. Nesse exato momento, uma voz ensurdecera ressoou pela tumba. As palavras em si eram irreconhecíveis, mas o seu significado era claro para ele.

“Diga as palavras.”

Esse era o momento. O momento pelo qual havia sonhado em toda sua vida. O momento para o qual havia praticado incontáveis vezes durante a viagem para esse ilha tão distante de qualquer civilização. Era a hora.

O jovem fechou os olhos, repassando mais uma vez a frase fatídica em sua mente. Engoliu a seco, e, após um silencioso pigarro, pronunciou:

Ô SEUS PORRA, FAZ TEMPO QUE EU NÃO ESCREVO NADA AQUI, HEIN? CARALHO!”

Esse foi meu jeito bonitinho de escrever algo depois de tanto tempo sem postar nada nesse simpático web log. Assim como devem ter sido metade dos posts que já escrevi nessa pocilga. Tal qual Weird Al (rima não proposital (agora foi de propósito)), todos os meus posts são um comeback.

Dessa vez, um comeback após um ano sem postar nada. Sim, um ano, como notou o caro amigo Danilo Martins. Eu estava planejando voltar a escrever a um bom tempo, mas sempre ficava naquela do “Naaah, depois eu faço isso”.

Mas poxa, um ano foram umas férias legais, né? To cheio de ideias aqui que eu estava apenas com preguiça de passar pro papel. Ou, no caso, a minha versão de papel, que é a janelinha de post novo do WordPress.

E, pra celebrar todas essas ideias originais, e agradecer ao Danilo pelo incentivo, resolvi fazer a coisa lógica e matar dois coelhos numa cajadada só: vou plagiar esse texto dele e escrever sobre organização também!

Ok, falando sério agora: recentemente eu me mudei de novo. Resolvi aproveitar isso para tentar organizar várias coisas que até então eu não havia dado a devida atenção. Como tudo nessa minha vida de procrastinador, isso ainda é um trabalho em progresso, mas tem algumas coisas que eu já consegui arrumar que acho que seria legal compartilhar aqui.

Amanhã sai o primeiro post dessa pequena série, onde vou te ensinar a organizar uma das coisas mais importantes na vida internética, e que você certamente ignora: Senhas.

Até amanhã.

Prometo.

Paradoxos, forças infinitas, e uma análise científica sobre um gordão herói

“What happens when an unstoppable force meets an immovable object?”

Esse é o questionamento feito pelo paradoxo da força irresistível, e uma das diversas demonstrações sobre como o absoluto e o infinito é racionalmente impossível no mundo físico.

Esse pensamento não é nada novo, aliás: uma versão diferente desse mesmo questionamento vem de um livro chinês de filosofia, escrito por volta do século 3 AC. Nesse livro, consta a história de um homem que estava vendendo um escudo e uma lança, presumivelmente no camelódromo mais popular da China Antiga. Quando o perguntavam o quão bom era o escudo, ele respondia:

– Moço, çaqui é dos bom. Resiste tudim, qualquer arma que cê tente atacar vai quebrar. Original, importado, né Mêid in Tcháina não.

Porém, quando perguntado sobre a qualidade da lança, dizia:

– É uma beleza que só ela. Atravessa qualquer escudo. Qualquer um. E se comprar agora inda faço um precim camarada pro sinhô.

Até que perguntaram o que aconteceria se o escudo indestrutível fosse atacado pela lança Chuck Norris. Obviamente, o vendedor não tinha uma resposta, e após ser verificado que os produtos que ele vendia não eram aprovados pelo Inmetro, a lojinha do pobre salafrário Lee teve que ser fechada. E até hoje, a palavra em chinês para “contradição”, quando traduzida literalmente, significa “lança-escudo”.

O universo não funciona com absolutos. Não importe o quão grande seja uma força, sempre haverá uma outra ainda maior.

Porém, quando a diferença entre duas forças é muito grande, para a menor delas, a maior é quase isso: infinita.

Existe um conceito que você, caso não tenha dormido nas aulas de física, deve se lembrar: é a quantidade de movimento, que é quantificada pela massa de um objeto multiplicada pela velocidade do mesmo.

Dada a natureza desse calculo, é fácil perceber que para algo ter uma quantidade de movimento alta, só precisa-se ter uma das grandezas, hum, grande. É por isso que uma bala, mesmo sendo leve, consegue causar tanto estrago, e é por isso também que se você tentasse parar um carro com as próprias mãos, você terminaria debaixo do tal carro, por mais que ele estivesse numa velocidade bem baixa.

Mas agora, mermão… Se esse tal algo possui tanto a massa quanto a velocidade tendo que ser expressos com 3 dígitos, é melhor você sair da frente. Foi o que esse pobre mancebo aqui embaixo acabou descobrindo um pouco tarde demais.

Vamos fazer um breakdown de tudo que acontece nesse vídeo, segundo à segundo:

O meliante adentra o recinto do jeito mais clichê do mundo, vestindo um casaco e usando capuz, já perdendo assim alguns pontos no quesito estilo. E foi andando devagarzinho pelo corredor, o que na cabeça dele devia estar sendo super climático e tal.

Mas nosso jovem projeto de ladrão não demora para agir. Ao ver a segurança no final do corredorzinho, mostra a arma para ela, deixando claro a que veio. A segurança procede por seguir seu dever, arriscando heroicamente sua própria vida para salvar os visit… Ah não, pera. Ela só saiu correndo na outra direção, no maior estilo “antes eles do que eu”. Não culpo completamente ela – não sei o quanto ela está ganhando para trabalhar ali, mas imagino que não muito, e quantos salários mínimos seriam necessários para você arriscar sua vida por completos desconhecidos? – mas ela ao menos poderia ter avisado o resto do povo né. Ao invés disso, ela mete o pé – os outros que se virem – e some da câmera.

E é aí que entra o gordão herói para salvar o dia. Ele, identificando a aparência suspeita do tal rapaz, se levanta da cadeirinha onde descansava seus vários quilos, e começa a se colocar entre o suspeito e o resto do bar, usando o corpo como barreira. É possível inclusive ver ele dando um pequeno aceno para baixo com a cabeça, naquele estereotípico gesto de “Qualé a tua, rapá?” que a gente vê em filmes e jogos sobre a cultura gângster.

O prepotente assaltante responde a essa pergunta da mesma maneira que fez com a segurança antes, mostrando o revolver, na certeza de que intimidaria o nosso adiposo herói.

E para o azar dele, não funcionou. Ao invés disso, a visão da arma aparentemente ativou todos os interruptores do instinto de sobrevivência do segurança na potência máxima. Com a força explosiva de 50 bombas (de chocolate), nosso intrépido paladino da justiça avança para cima do pobre criminoso.

Demonstrando uma perícia incrível, o segurança vai direto na arma do sujeito a empurrando para baixo e para o lado, ficando assim fora da linha de tiro, e, por tabela, fica também numa posição fantástica para desferir um golpe quase Mortal Kombatístico de tão brutal.

Nesse momento, o delinquente com certeza se arrependeu de todas as escolhas que fez na vida. Especialmente as mais recentes.

Com um movimento veloz (a tal quantidade de movimento na situação ali já devia estar batendo na casa das centenas de milhar), o gordão gira todo o seu corpo com uma agilidade impressionante, conectando seu cotovelo à face do larápio e desferindo assim a cotovelada mais linda que já vi na minha vida. O assaltante cai para o lado numa demonstração didática de ragdoll physics na vida real.

Ragdoll Physics

Figura 1: Ragdoll Physics

Após isso, o segurança continua raivosamente atacando o corinthiano (acabaram os outros sinônimos pra “ladrão”, deal with it), e durante o processo, pela reação do resto das pessoas se abaixado de repente, deduzi que enquanto se debatia, o assaltante acabou conseguindo disparar alguma vez contra o gordão.

Fiquei preocupado. Teria nosso destemido herói anônimo sido atingido? Pesquisei um pouco, e cheguei a resposta.

Por sorte, ninguém se feriu. Da mesma maneira que desviava de dietas, o segurança desviou também dos projéteis – foram dois ao todo. E, no final, o herói anônimo deixou de ser tão anônimo depois do ocorrido. Seu nome é Eric Wasson, e a ele foi concedida a maior honra que um civil pode receber da polícia, a Medalha por Bravura. Absolutamente merecida, Eric.

E quanto aos paradoxos: o que acontece quando uma força irresistível se encontra com um objeto inamovível? Não faço a mínima ideia. Mas sabe o que acontece quando uma força irresistível se encontra com um criminoso franzino?

Justiça.

 

PS: Eu reli isso aqui e reparei que a maioria das piadas que fiz foram em relação ao peso do cara, o que é uma injustiça danada visto que 1) o cara possivelmente salvou várias vidas e 2) eu também sou gordo, e ao invés de salvar pessoas eu faço piadas na internet. Em geral eu acho tosco quando alguém zoa algo e depois fica fazendo ressalvas, mas queria deixar claro aqui que esse cara foi absolutamente foda em todos os sentidos.

PPS: Se tudo der certo, eu vou conseguir começar a escrever semi-regularmente nessa joça. Então, torçam aí. Ou não também.

Sobre mudanças e lembranças

Aviso: esse texto foi escrito sob o efeito de sono excessivo, e pode portanto ser qualquer coisa entre ligeiramente confuso e completamente sem sentido. Só vou descobrir no dia em que eu ler isso de novo sob melhores condições mentais. Obrigado pela atenção.

No momento em que escrevo isto, são exatamente… Deixa eu ver aqui… 03:14 da madrugada do dia 14 de Janeiro de 2014. Em menos de 12 horas, sairei da casa onde tenho morado pelos últimos dois anos pela última vez, e muito provavelmente, eu nunca mais voltarei a pisar nesse chão.

Eu já me mudei várias vezes, e sempre para um estado diferente do anterior. Basicamente todo mundo consegue entender alguns contras dessa vida de nômade. Mas tem uma coisa, uma coisa muito específica sobre mudanças (principalmente as tão frequentes como as minhas), que imagino que quem viveu a vida inteira num lugar só não percebe.

Eu estava ainda agora arrumando as minhas coisas para a viagem e para a mudança. E existe uma etapa fundamental desse processo: decidir o que, afinal, você realmente quer levar. Não faz sentido pagar pelo transporte de coisas essencialmente inúteis. Uma mudança é, portanto, o momento ideal para se desfazer das inúmeras tranqueiras e bugigangas que você acaba naturalmente acumulando sob o pretexto de “vai que algum dia eu preciso”, mesmo depois de algumas dúzias de meses sem precisar da parada.

Mas outra coisa que você acaba encontrando, são… Na verdade, é difícil de explicar. São pequenas coisas que te fazem lembrar de um momento específico. Isso varia muito de pessoa pra pessoa, mas para dar alguns exemplos meus, eu achei alguns convites de festa, um bilhete de cinema de um filme que eu particularmente gostei, alguns cadernos escolares com contracapas devidamente enfeitadas com inúmeros desenhos e recados dos colegas que fiz por aqui, entre vários outros. São quase como se fossem uns “tokens de memória”, são coisas que você olha e você imediatamente pensa: “Esse dia foi massa”.

A maioria desses objetos são coisas que eu nunca mais vou precisar, e mesmo se eu guardar, eu provavelmente só vou acabar guardando eles numa gaveta e deixa-los para serem reencontrados numa próxima arrumação. Mesmo assim, eu tenho uma dificuldade imensa em me desfazer dessas coisas.

E o motivo para essa dificuldade, é que eu não consigo deixar de pensar que esse token é efetivamente minha última lembrança do tal evento.

Nós raramente nos lembramos de algo sem motivo. Sempre que lembramos de alguma coisa, é porque o cérebro de alguma forma associou um estímulo recente a essa memória.

Eu vou para um lugar completamente novo. Por mais que eu tente evitar, eu com certeza acabarei perdendo contato com algumas pessoas. Em muitos casos, eu não vou mais ter alguém com quem conversar sobre uma situação específica. Alguém pra, entre um papo e outro, poder falar “Falando nisso, lembra naquele dia em que…”. Com a perda do token, eu literalmente não tenho mais nada que faça me lembrar daquele momento. No momento em que eu jogo esse objeto fora, eu estou quase certamente impedindo que eu volte àquele momento. Essa lembrança, esse momento que, ao olhar pro token, eu me recordo com tanto carinho, será efetivamente deletado, ou ao menos não terei mais acesso à ele.

E a parte realmente foda disso tudo é que, tendo me mudado muito, eu já perdi MUITAS lembranças assim.

Eu vejo gente que viveu sempre/quase sempre no mesmo lugar, e a casa de uma pessoa assim é essencialmente um arquivo da vida da pessoa. Em cada armário, em cada estante, tem algum objeto que lembra o dono de algum evento, nem que o mesmo tenha se passado anos, talvez até décadas atrás. Eu não tenho nada disso.

Não me entenda mal, não é como se eu tivesse perdido tudo. Mas o problema é que o que é guardado são, em geral, momentos considerados importantes. Aniversários, formaturas, etc.

Mas esses eventos são uma minoria minúscula da vida de uma pessoa. Você não se lembra de uma pessoa pela festa de aniversário ~super-massa~ que ela teve. Você lembra dela por aquela vez que ela caiu no meio do supermercado. Você lembra dela por aquele anel vagabundo que ela te deu de presente pra de sacanear. Você lembra dela por aquela conversa sobre um assunto particularmente pessoal.

Esses “microeventos”, esses sim são os que compõem a maior parte da nossa vida, e que na real são a nossa fonte primaria de alegria. Esses pequenos momentos contentes que, na real, juntos formam a grande maioria dos momentos felizes por que a gente passa. Se eu perco tantos desses momentos, o que isso faz de mim…?

Depois de me mudar tanto, eu não consigo parar de pensar em quantos desses momentos estão completamente perdidos para minha memória, e isso torna jogar essas coisas muito difícil pra mim.

Talvez eu devesse começar a escrever um diário.

Colossos, Gigantes, e outros mancebos mastodônicos

Eu moro em Foz do Iguaçu. Como você provavelmente sabe, é aqui que se encontra a Usina de Itaipu. Ela é simplesmente a usina elétrica que mais produz energia por ano no mundo inteiro. Não é poucas merdas não.

 Então. A parada é, compreensivelmente, um ponto turístico entre essas bandas. Existem alguns tipos de excursão para se fazer, mas a “padrão”, que quase todo mundo faz, é a que eles chamam de “Panorâmica”, onde você vai num ônibus até mais ou menos perto do rio, tira umas fotos, dá mais um passeio de ônibus pela barragem, e pronto. Eu já fiz esse passeio umas trezentas vezes, ao ponto em que quando parentes e amigos vêm à cidade, não consigo segurar o pensamento de “Bosta, lá vou eu ter que ver um dos maiores e mais caros feitos de engenharia que a humanidade já realizou. Certeza que ces não querem ir no cinema…?”.

Mas existe uma outra opção de passeio lá. Chama-se, se não me engano, Visita Técnica (ou algo assim). Nela, você vai dentro da represa. E cara… Sério…

Clique na imagem ali pra ver grandão. Clicou? Clica logo. Eu espero

Então. Quando eu fiz essa tal Visita Técnica, eu fiquei pasmo. Embasbacado. De queixo caído. Adicione mais uns dez sinônimos de “impressionado” aqui.

Tá vendo o chão lááá no fundo na foto, meio amarelado? (Se não tá vendo é porque não clicou na foto quando eu mandei, então se fode aí.) Eu fui lá. E foi uma das experiências mais memoráveis que eu tenho. Eu estava maravilhado com o tamanho daquilo. Era quase inconcebível como seria possível algo tão grande existir, quem dirá ainda ter sido construído pelo mesmo povo que fez “Festa no Apê” fazer sucesso um dia.

Eu sempre gostei dessa sensação. Não, não tô falando do “bundalelê”, caralho. Me refiro a essa sensação de estar perto de algo tão incrivelmente maior que você mesmo.

Outro exemplo: eu sempre tive o sonho de ir ao espaço. Não por causa da microgravidade ou das roupas bacanudas, mas… Ok, não por causa da microgravidade e das roupas bacanudas, mas também porque eu sempre quis ver… A Terra.

terra

Até hoje, durante toda história humana, apenas 536 pessoas saíram dessa esfera azul.

Ver a Terra do espaço deve ser simplesmente a coisa mais fenomenal imaginável. É algo incomensuravelmente gigante. Simplesmente um tamanho que o cérebro humano não evoluiu para computar. Ver algo assim, ali, na sua frente? Dever ser uma das poucas coisas que, quando descrita como “épica”, não caracteriza uma hipérbole.

Essa minha fascinação por coisas gigantes sempre me leva a pensar: e se tivéssemos animais gigantes?

Infelizmente (pra mim), não existe nem nunca existiu nenhum animal perto de causar esse efeito em mim. Não me entendam mal. Existem, ou existiram, animais pretty fucking grandes. Baleias-azuis, ou algumas espécies de dinossauros. Mas mesmo esses, apesar de definitivamente grandes, não são gigantescos, do tipo que eu gosto de imaginar.

Meh.

Meh.

Existem duas coisas que eu gosto de pensar quando imaginando esses bichos. Um: que ele não seja inteligente, ou seja, que ele seja “apenas” um animal grandão mesmo, e dois: que ele seja grande mesmo. Não só “maiores que você”, inimaginavelmente gigantescos.

O motivo para esses dois “requisitos” para um animal desses é simples. Ter essas duas características torna ele, essencialmente, uma força da natureza. Você pode dizer: “Mas Rafa, os animais em geral, sei lá, um leão ou um tubarão, já são forças da natureza”. Sim, mas não é isso que eu quero dizer.

Pensa o seguinte: quantas formigas você já matou, sem perceber, só de andar de um lado para o outro? Você é maior que a formiga por tantas ordens de magnitude, que você nem percebe a existência dela. Está entendendo onde eu quero chegar? Você a esmaga com um peso milhões de vezes maior que o dela, e nem ao menos percebe que isso aconteceu.

Agora pense nisso, mas se colocando no lugar da formiga? Pois é. Um ser assim não é mais apenas um animal, ele é literalmente uma força da natureza. Como um furacão, ou um terremoto, ou uma tsunami, ele não nos mataria tentando ativamente nos matar. Assim como essas catástrofes naturais, ele nem perceberia nossa existência. Ele não nos mataria nos caçando ou defendendo o seu território. Ele apenas passaria por cima de qualquer cidade que estivesse entre ele e seja lá o lugar em que ele quer chegar, esmagando 3 quarteirões a cada passo. Ele simplesmente… Aconteceria. E ai de quem estiver no caminho dele enquanto ele acontece.

Essa arte ilustra bem o que eu quero dizer (e foi o que me inspirou a escrever esse texto, aliás):

Criado pelo artista chasestone.

Você tá vendo isso? Tá entendendo a escala de magnitude à que me refiro? Consegue imaginar o quão ESTUPRADORAMENTE COLOSSAL um bicho desses seria? Olha do lado da “pata” dele. Uma cidade. Uma motherfucking cidade. Você não lutaria ou resistiria de qualquer forma contra um bicho desses. Você perceberia que ele está vindo, e você tentaria sair do caminho antes de ele chegar. E então você torceria para que ele acabasse errando sua cidade, poupando-a da mais completa e absoluta obliteração.

Algumas pessoas sonham com o apocalipse zumbi. Já pra mim, esse é um dos “cenários mórbidos” mais legais.

E ainda assim, eu até hoje não joguei Shadow of the Colossus. Vergonha, eu sei.